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A Lenda da Origem do Rio
Viviam os índios, nos chapadões, em várias tribos felizes. Entre esses estava uma linda mulher, a doce Iati. Era noiva de um forte guerreiro, quando houve uma guerra nas terras do norte e todos os guerreiros se foram para a luta. Eles eram tantos que os seus passos afundaram a terra formando um grande sulco. Entre eles se foi o noivo da formosa índia que tomada de saudades pelo seu amado chorou copiosamente. Suas lágrimas foram tantas que escorreram pelo chapadão despencando do alto da serra formando uma linda cascata, e caindo no sulco criado pelos passos dos Guerreiros, escorreram para o norte e lá muito longe se derramou no oceano, e assim se formou o rio São Francisco.
O Rio Dorme
Há uma lenda em todo o Médio São Francisco sobre o sono do rio. A meia noite as águas adormecem, o rio se aquieta por alguns minutos, e todos os seres de suas águas adormecem. Nesses poucos momentos não se pode despertá-los, pois acordados as águas se enfurecem virando as canoas e inundando as terras. Não se deve, portanto desrespeitar o leve sono das águas. Quando o rio dorme as almas dos afogados se dirigem para as estrelas, a mãe d'água sai e se senta nas pedras no meio do rio e enxuga os longos cabelos, os peixes param no fundo do rio, as cobras perdem o veneno. Se alguém despertar as águas ficam tumultuadas e bóiam todos os cadáveres dos afogados e não há quem possa navegar.
Romãozinho
O menino
travesso endiabrado que não deixa ninguém sossegado. Quando
resolve atazanar a vida de alguém não dá tréguas.
Até vilas e povoados inteiros são palco para as diversões
de Romãozinho. O diabete levanta as saias das mulheres, derruba objetos
dos armários, atira areia nas panelas, joga pedras nas pessoas; tudo
isso invisível sem ser visto. A impressão é que as coisas
e objetos estão se deslocando sozinhas. Dizem que esse diabete é
o espírito de um menino muito travesso que foi causa da morte de sua
mãe assassinada pelo marido. Era filho de lavradores, e que tinha a
incumbência de levar todos os dias a comida do pai no roçado.
A mãe, segundo a lenda era muito maltratada pelo marido que a espancava
constantemente. Romãozinho sempre era motivo de uma sova que o pai
aplicava na esposa, pois provocava, criando os motivos para a cólera
do pai porque gostava de vê-la apanhar.
Todo dia Romãozinho comia parte da comida que levava para o pai provocando
briga do casal que resultava em espancamento. Em um dia desses a mãe
de Romãozinho preparou uma galinha da melhor forma que sabia fazer.
O garoto comeu tudo e disse ao pai, mostrando apenas, os ossos que a mãe
dissera que o velho se contentasse com os ossos porque a carne havia guardado
para o vigário. O pai enfurecido chegou em casa e matou a esposa e
na hora da morte o garoto explodiu espalhando pelos ares um cheiro forte de
enxofre. Dizem que ele virou bicho aos 14 anos e já faz duzentos anos
e continua com a mesma voz e as mesmas diabruras. Wilson Lins, conta no seu
livro o Médio São Francisco um depoimento sobre Romãozinho
na vida de icatu. Romãozinho atanazou a vida dos moradores, apagando
o fogo das cozinhas, derramando as panelas de comida, derrubando as garrafas
das prateleiras das bodegas, tocando os sinos da igreja, levantando as saias
das mulheres nas ruas.
Mandaram buscar um sacerdote na vizinha cidade da Barra para benzer a Vila.
Dizem que mesmo depois da benção, Romãozinho continuou
vez por outra visitando o povoado fazendo suas diabruras.
A Pesadeira
Uma
mulher com um gorro vermelho na cabeça que se senta no peito daqueles
que dorme de papo pro ar. Por isso é que há sempre a recomendação
a todos que são estranhos ao vale quando ali chegam são advertidos
para não dormir nesta posição, pois a pesadeira virá
sentar-se no peito desse desprevenido, mas há uma vantagem, aquele
que conseguir tirar ou roubar sua roupa da pesadeira, a torna sua escrava
e conseguirá tudo que desejar.
Contam que certo beiradeiro deitou-se para a sesta, quando sentiu o peso da
pesadeira sentada em seu peito. Ainda entre dormindo e acordado o sabido estendeu
o braço e tirou a touca da pesadeira que satisfez todos os seus desejos;
era muito pobre, se tornou o homem mais rico da região.
O Mão Pelada
Esse bicho é noturno. Dorme de dia e a noite sai atrás de encontrar alguma pessoa para beber-lhe o sangue. Tem esse nome de mão pelada, segundo dizem por ter uma das mãos em carne viva, que ainda de acordo com a lenda o sangue da mão pelada cura a lepra e banha cura reumatismo. Não se sabe de alguém que tenha conseguido seu sangue e sua banha.
O Gritador
Dizem
que um vaqueiro foi vaquejar uma vez numa Semana Santa, na sexta feira santa,
pelo que desapareceu juntamente com a rês e a montaria. Vive hoje a
gritar aboiando, seja de dia ou de noite. Virou assombração
e é comum ouví-lo aboiar pelas caatingas. Nas noites de sexta
feira santa além do aboio ouve-se também o tropel do cavalo,
o latido do cachorro e o chocalho da rês.