










Moradores às margens
do Rio das Velhas, entre Curvelo e a foz no rio São Francisco, perceberam
uma mudança na coloração da água, que segundo
o Igam, se deve a proliferação de cianobactérias (algas
azuis). Amostras de água foram recolhidas para se avaliar o grau de
contaminação e quais medidas deverão ser adotadas para
evitar problemas para a população. Os resultados preliminares
devem ser divulgados no dia 10. O surgimento das algas pode ser uma conseqüência
do lançamento de esgoto, agravado ainda mais pela falta de chuvas.
De acordo com a Feam, fenômeno deste tipo vem ocorrendo desde 1995,
sem causar mortandade de peixes. Mas a cada ano a intensidade é maior
no período de seca. O contato direto da pele com as cianobactérias
pode provocar irritação ou erupções, inchaços
dos lábios, irritação dos olhos e ouvidos, dor de garganta,
inflamações no rosto e até asma. Beber água contaminada
pode causar náuseas, vômitos, dores abdominais, complicações
no fígado e fraqueza muscular. Quem apresentar qualquer sintoma, eventualmente
identificado como de origem por contato com a cianobactéria, deve procurar
o posto de saúde mais próximo. Fonte: Portal Uai
As algas azuis, algas cianofíceas ou cianobactérias, não
podem ser consideradas nem como algas e nem como bactérias comuns.
São microorganismos com características celulares procariontes
(bactérias sem membrana nuclear), porém com um sistema fotossintetizante
semelhante ao das algas (vegetais eucariontes), ou seja, são bactérias
fotossintetizantes. Existe uma confusão na nomenclatura destes seres,
pois a princípio pensou tratar-se de algas unicelulares, posteriormente
os estudos demonstraram que elas possuem características de bactérias.
Para simplificação, neste texto, serão denominadas simplesmente
cianobactérias.
Possivelmente, foram as responsáveis pelo acúmulo de O2 na atmosfera primitiva, o que possibilitou o aparecimento da camada de Ozônio (O3), que retém parte da radiação ultravioleta, permitindo a evolução de organismos mais sensíveis à radiação UV.
As cianobactérias podem viver em diversos ambientes e condições extremas como em águas de fontes termais, com temperatura de aproximadamente 74ºC ou em lagos antárticos com temperatura próximas de 0ºC, outras resistem a alta salinidadee até em períodos de seca. Algumas formas são terrestres, vivem sobre rochas ou solo úmido, estas podem ser importantes fixadoras do nitrogênio atmosférico, sendo essenciais para algumas plantas.
As cianobactérias podem produzir gosto e odor desagradável na água e desequilibrar os ecossistemas aquáticos. O mais grave é que algumas cianobactérias são capazes de liberar toxinas, que não podem ser retiradas pelos sistemas de tratamento de água tradicionais e nem pela fervura, que podem ser neurotoxinas ou hepatotoxinas. Originalmente estas toxinas são uma defesa contra devoradores de algas, mas com a proliferação das cianobactérias nos mananciais de água potável das cidades, estas passaram a ser uma grande preocupação para as companhias de tratamento de água.
As cianobactérias podem ser encontradas na forma unicelular, como nos gêneros Synechococcus e Aphanothece ou em colônias de seres unicelulares como Microcystis, Gomphospheria, Merispmopedium ou, ainda, apresentarem as células organizadas em forma de filamentos, como Oscillatoria, Planktothrix, Anabaena, Cylindrospermopsis, Nostoc.
Quando testadas pelo método de coloração de Gram, comportam-se como bactérias Gram-negativas, com isto demonstram que possuem paredes celulares pouco permeáveis aos antibióticos.
A coloração
das cianobactérias pode ser explicada através da presença
dos pigmentos clorofila-A (verde), carotenóides (amarelo-laranja),
ficocianina (azul) e a ficoeritrina (vermelho). Todos estes pigmentos atuam
na captação de luz para a fotossíntese. Algumas espécies
podem apresentar mais de um tipo de pigmento, isto explica a existência
de cianobactérias das mais variadas cores.
Como as cianobactérias vivem e se proliferam
As cianobactérias são microrganismos autotróficos, a fotossíntese é seu principal meio para obtenção de energia e manutenção metabólica. Seus processos vitais requerem somente água, dióxido de carbono, substâncias inorgânicas e luz.
A reprodução das cianobactérias não coloniais é assexuada, as formas filamentosas podem reproduzir-se assexuadamente e algumas espécies de colônias filamentosas são capazes de produzir esporos resistentes, os acinetos, que, ao se destacarem, originam novas colônias filamentosas.
Tomando-se como base os estudos promovidos em mananciais de água potável, percebemos que os motivos principais para o aumento da incidência de cianobactérias são:
1) O aumento anormal da
quantidade de componentes nitrogenados e fosfatados na água. As cianobactérias
têm três elementos que limitam o seu crescimento são, o
Nitrogênio, o Oxigênio e o Fósforo.
2) O aumento da matéria orgânica favorece o aumento da quantidade
de microrganismos decompositores livres na água e nos sedimentos, que
acabam consumindo o oxigênio dissolvido na água, favorecendo
com isto a atividade fotossintética das cianobactérias.
Além disto, nos meios anaeróbicos a disponibilidade das formas inorgânicas de nitrogênio e fósforo aumentam, facilitando as grandes infestações.
É tentador dar um grande mergulho
de cabeça num rio cheio de algas, com água verde.
Dá vontade. Mas a seguir podem vir conjuntivites, urticária,
problemas gastrointestinais e mesmo tumores.
As responsáveis são as cianobactérias, também
conhecidas por algas verdes-azuis.
Gostam de luz e calor. Desenvolvem-se em águas poluídas e já tomaram conta de grande parte das fontes de água superficiais em Portugal, alastrando um pouco por todo o mundo. Apesar do seu aspecto inocente e bonito, as cianobactérias produzem toxinas que podem provocar diversos problemas de saúde.
Enquanto o manto não é violado não há risco para a saúde humana. O perigo surge quando as células que compõem as cianobactérias se rompem, o que pode acontecer por morte natural ou provocada. É que estas algas, que começam por ser verdes e depois vão ficando progressivamente azuis, produzem um vasto leque de toxinas que são libertadas com o rompimento dessas células.
«Podem romper-se devido a pressão, por exemplo, de uma canalização ou por consequência da passagem de uma mota de água que circule numa barragem ou rio, ou pelo mergulho de uma pessoa», explica a especialista, adiantando:
«Conhecem-se cerca de 200 géneros com possibilidade de produzir toxinas e ainda há mais espécies de cianobactérias. Os níveis de alerta são definidos em função da capacidade que cada espécie tem de produzir toxinas, do número de células e da utilização da água contaminada».
Fonte: Net
Saiu o Laudo do SAAE de Pirapora
Cianobactérias no Rio das Velhas é 130 vezes maior do que o permitido
O nível de contaminação no Rio das Velhas chega a 1.300.000 células por mililitro. O resultado é de uma análise feita pelo SAAE-Pirapora (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) a pedido do IEF (Instituto Estadual de Florestas). O número é 130 vezes maior do que o definido pela portaria 518 do Ministério da Saúde como ideal para o consumo humano. Também, é 26 vezes maior do que o estabelecido pela resolução 357 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) como limite para o uso doméstico. Os dados indicam, portanto, que o rio apresenta um alto índice de contaminação.
Segundo o biólogo do SAAE-Pirapora, Patrick Nascimento Valim, o Rio das Velhas está poluído por compostos característicos de esgotos domésticos. Tais elementos aliados à estiagem e alta insolação criam um ambiente propício para a proliferação das algas azuis (cianobactérias).
O laudo ainda aponta que o trecho do Rio São Francisco em Pirapora não está contaminado. De acordo com o documento, foram identificadas apenas 450 células por mililitro, quase 23 vezes menos do que o estipulado pela portaria 518. Fica constatado que a poluição no São Francisco começa em Várzea da Palma ao encontrar com o Rio das Velhas, que recebe parte do esgoto proveniente da região metropolitana de Belo Horizonte.
“Mesmo depois das águas do Velhas se encontrarem com as do Rio São Francisco não ocorre uma diluição suficiente para acabar com a poluição e esta segue rio abaixo, no sentido da Bahia”, explica o biólogo do SAAE-Pirapora. “As cianobactérias quando em número excessivo alteram a cor, odor e sabor da água. Além disso, produzem toxinas que podem causar problemas de saúde, como diarréias e coceiras. Em Pirapora, a população não corre riscos, de acordo, com as análises realizadas pelo SAAE.”
Fonte: Tiago Severino - ASCOM SAAE

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