
Avaliação
da integridade estrutural da Ponte Marechal Hermes
Rio São Francisco - MG
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RESUMO
Sabe-se que a degradação que ocorre em estruturas de pontes
metálicas é um problema mundial. Isto ocorre por diversas razões,
como envelhecimento da ponte, aumento da carga de tráfego, ataque ambiental
e, algumas vezes, devido a projetos, detalhamento e construção
da estrutura inadequados. Para resolver esses problemas, procedimentos diferentes
de inspeção de pontes têm sido aplicados em diferentes
países. No Brasil, no entanto, parece não haver preocupação
em preservar a integridade das estruturas, não sendo comum a realização
de inspeções e/ou manutenções, o que pode afetar
a segurança estrutural, levando à necessidade de reparos mais
severos e mais caros. Esse trabalho procurou diagnosticar e propor soluções
visando à minimização da corrosão desenvolvida
na Ponte Marechal Hermes (rio São Francisco). Para isso, foram feitas
visitas in locu e, através de inspeção visual, filmagem
e registros fotográficos, coletaram-se os dados necessários
para análises. Também foram coletadas amostras e, então,
realizadas caracterizações química, mecânica e
metalográfica do aço empregado na ponte. Fez-se modelagem através
de elementos finitos, visando a analisar o comportamento estrutural da ponte
com e sem danos por corrosão, o que possibilitou a verificação
dos elementos estruturais mais solicitados e a influência da corrosão
nessas regiões. Foram realizados ensaios com névoa salina em
diferentes sistemas de pintura, visando a identificar o melhor procedimento
de revestimento para proteção da ponte. Verificou-se que o emprego
do sistema de pintura constituído de etil silicato de zinco, com primer
epóxi-amida, rico em zinco e esmalte poliuretano alifático,
foi o que apresentou melhor desempenho.
1. Introdução
Sabe-se que os materiais metálicos são os mais susceptíveis
à corrosão [Gentil, 2003]. Sendo a corrosão um processo
absolutamente espontâneo, que transforma os materiais metálicos,
de modo que a durabilidade e desempenho dos mesmos deixam de satisfazer os
fins a que se destinam, a degradação de pontes metálicas
pode ser considerada um problema mundial.
A Ponte Marechal Hermes (PMH), situada sobre o rio São Francisco, entre
as cidades de Pirapora e Buritizeiro/MG, encontra-se num estado avançado
de degradação, devido à corrosão, o que leva à
necessidade de um trabalho de recuperação.
Para minimizar esse tipo de problema, há a necessidade de procedimentos
de inspeção que permitam avaliar a condição da
estrutura da ponte [Woodward et alii, 2001]. Além disso, é importante
que se avalie a capacidade de carga da ponte, já que, à medida
que as pontes envelhecem, a deterioração causada pelo tráfego
intenso e um meio ambiente agressivo tornam-se crescentemente significantes,
resultando numa alta freqüência de reparos e em uma redução
na sua capacidade de carga. A ocorrência e a extensão dos danos
encontrados em inspeções sucessivas são usadas para determinar
a deterioração estimada de componentes estruturais. Por sua
vez, essa análise serve como critério para tomada de decisão,
no que se refere às medidas de manutenção e reabilitação.
Nesse trabalho, são apresentados alguns resultados dos estudos feitos
sobre a PMH. Foram feitas inspeções, análises do material
da ponte, avaliação da capacidade de carga da estrutura sã
e danificada, além da avaliação de sistemas de pintura
para proteção da ponte contra o fenômeno de corrosão.
2. Materiais
Foi feita uma investigação constituída de informações
obtidas com pessoas da região e inspeção visual. Tomaram-se
notas e o processo corrosivo instaurado na PMH, foi registrado através
de fotos e filmagens. Fez-se um levantamento da geometria de cada perfil que
compõe a PMH com suas respectivas dimensões, além da
retirada de material da ponte para análise. Nessas amostras foram feitas
análises química e metalográfica, além da avaliação
mecânica do material. A amostra 1 (AISI 1005) apresenta uma microestrutura
constituída praticamente de ferrita, por se tratar de um aço
com baixíssimo teor de carbono; Já a amostra 2 (AISI 1123),
por apresentar maior teor de carbono, apresenta uma microestrutura com a fase
ferrita e o constituinte perlita.
Para a análise química foram utilizadas duas amostras. A Tabela
1 apresenta a composição química das amostras analisadas.

O ensaio metalográfico foi feito nas duas amostras retiradas de elementos
da ponte. As Figuras 1 e 2 mostram as fotomicrografias das amostras 1 e 2,
respectivamente. Nota-se na amostra 1 (AISI 1005) que a microestrutura é
constituída praticamente de ferríta, por se tratar de um aço
com baixíssimo teor de carbono; portanto, com características
mecânicas de alta plasticidade. Já a amostra 2 (AISI 1123), por
apresentar maior teor de carbono, apresenta uma microestrutura com a fase
ferrita e o constituinte perlita (lamelas alternadas de ferrita e cementita).

O ensaio de tração foi realizado a partir da amostra 1. Os resultados
do ensaio de tração encontram-se apresentados na Tabela 2.

A partir da amostra 1, foram confeccionados 4 corpos-de-prova (CPs) para o
ensaio de tração, que apresentaram limite de escoamento fy ?
271 MPa e limite de resistência à tração fu ? 574
MPa.
Através da inspeção visual foi possível identificar
as seções transversais das barras que compõem PMH. A
inspeção visual também possibilitou o levantamento dos
locais com maiores problemas de corrosão [Cândido, 2002; Pannoni,
2004]. A Figura 3 (a-b) apresenta, principalmente, o tipo de corrosão
generalizada (uniforme) na PMH, no entanto pode haver também, corrosão
localizada. Essas regiões, geralmente, encontram-se nas partes superiores
das estruturas, particularmente, onde praticamente não são estabelecidas
frestas com acúmulo de eletrólito entres as mesmas.

3. Métodos
3.1
Descrição da Ponte
A Ponte Marechal Hermes (PMH) é uma ponte ferroviária metálica,
em treliça, com ligações rebitadas e apoiando-se em pilares
de pedra. Ela foi inaugurada em 1922 e tem uma extensão de 694 metros.
A Figura 4 apresenta uma visão em perspectiva da PMH.
Atualmente a ponte não se encontra em operação com o
fim para o qual foi projetada. As passarelas servem para tráfego de
pedestres, motos e veículos de tração animal e foram
colocadas tábuas ao lado dos trilhos, se apoiando sobre os dormentes,
para o tráfego de automóveis em baixa velocidade, pela estrutura
principal da ponte.
A estrutura, na realidade, é um conjunto de pontes em treliça
tipo Pratt. Também é importante notar que, praticamente, todas
as barras da estrutura da PMH são em perfis compostos [Neves, 2001].
A seção longitudinal da ponte é composta por 14 sistemas
desse tipo, sendo 4 vãos de acesso, dois de cada lado, com 37,1m cada
(Ponte 1) e 10 vãos centrais de 51,10m cada (Ponte 2), somando um total
de, aproximadamente, 660m de estrutura metálica. A Figura 5 mostra
a seção longitudinal total da PMH com seus 14 sistemas estruturais
em treliça.

A ponte está assentada em 13 pilares construídos em pedra. A
transmissão das cargas das treliças principais para os pilares
é realizada através de aparelhos de apoio metálicos,
fixos e móveis, localizados nas extremidades das treliças [Neves,
2001].
3.2
Modelagem em elementos finitos
Para a modelagem da PMH em elementos finitos, através do programa SAP2000,
consideraram-se aço estrutural ASTM - A36 (fy = 250 MPa; fu = 400 MPa)
e módulo de elasticidade E = 20.000 kN/cm2.
Foram feitas modelagens de duas pontes [Brinck, 2004]. A primeira (Ponte 1),
representando os 4 vãos de acesso à PMH (duas de cada lado),
com 37,10 m de comprimento, e a segunda (Ponte 2), representando os 10 vãos
centrais da ponte com 51,10 m de comprimento. Para isso, foram observadas
todas as características de ambas as pontes, como, por exemplo, os
perfis de cada uma com suas respectivas dimensões. Como os perfis das
barras são, em sua maioria, perfis compostos, foi necessário
que se definissem esses perfis como perfis genéricos. Além disso,
foi criada uma nomenclatura para os perfis, independente da que é utilizada
usualmente.
Os três tipos de modelagens empregadas para a ponte são descritas
a seguir: i) modelo de pórtico espacial - modelagem tridimensional
com elementos de pórtico espacial; ii) modelo de treliça espacial
- modelo tridimensional, onde as treliças principais foram rotuladas
apenas em seu plano e as barras que compõem a seção transversal
da ponte continuaram tendo um comportamento de pórtico; portanto foram
usados elementos de pórtico com nó rígido e de pórtico
com extremidades rotuladas; iii) modelo de treliça plana - os elementos
pertencentes aos banzos superior e inferior foram discretizados com elementos
de pórtico plano com nó rígido, enquanto os elementos
pertencentes às diagonais foram rotulados nas extremidades.
No caso da treliça plana, por existir apenas um plano, que é
o de uma das treliças principais, as cargas foram recolocadas de forma
que os carregamentos, que antes eram aplicados nas longarinas, passaram a
ser aplicados no banzo inferior da treliça e os carregamentos, que
eram perpendiculares ao plano da treliça, como vento, foram eliminados.
Essas cargas foram calculadas, considerando-se apenas metade de todo o carregamento
de cada uma das pontes. A Figura 6 mostra uma das modelagens utilizada.
3.3 Carregamentos
As cargas utilizadas para avaliação foram [Guerra, 1994]: peso
próprio da estrutura; sobrecarga devido às passarelas; sobrecarga
devido aos trilhos e dormentes; vento, segundo a norma ABNT NBR 6123/1988;
carga móvel - trem-tipo (TB 240 e TB 170), segundo a norma ABNT NBR
7189/1982, e impacto lateral.
Foram feitas quatro combinações de carregamento; duas considerando
a ponte carregada e duas considerando a ponte descarregada. O coeficiente
de impacto vertical foi inserido nessa fase. As combinações
feitas foram:
• COMB 1 = PP + SC + IL + V1 + Move 1; sem considerar os coeficientes
de majoração das ações.
• COMB 2 = PP + SC + V2; sem considerar os coeficientes de majoração
das ações.
• COMB 3 = PP + SC + IL + V1 + Move 1; considerando os coeficientes
de majoração das ações dados pela norma.
• COMB 4 = PP + SC + V2; considerando os coeficientes de majoração
das ações dados pela norma.
Sendo: PP = Peso próprio; SC = Sobrecarga devido às passarelas;
IL = Impacto lateral; V1 = Vento na ponte carregada; V2 = Vento na ponte descarregada;
Move 1 = Carga móvel.
É importante citar que o peso próprio da estrutura foi calculado
de forma automática pelo SAP2000. A sobrecarga devido às passarelas
foi calculada a partir de uma modelagem também feita no SAP2000. A
sobrecarga devido aos trilhos e dormente foi calculada e, posteriormente,
colocada sobre as longarinas das Pontes 1 e 2. O valor desse carregamento
foi de 2,89 kN/m, por longarina, nas duas pontes.
O Vento foi calculado segundo a norma ABNT NBR 6123/88, considerando a ponte
carregada e descarregada, e aplicado nos banzos superior e inferior da treliça
principal das Pontes 1 e 2.
A Figura 7 mostra o carregamento devido ao vento que foi aplicado em uma das
pontes, considerando a ponte carregada.
Como carga móvel, foi utilizado, segundo a norma ABNT NBR 7189/1982,
o trem-tipo TB 240 (adotado na verificação de estabilidade e
projeto de reforço de obras existentes). A Figura 8 ilustra o trem-tipo
utilizado como carga móvel nas Pontes 1 e 2.

Para a entrada de dados referentes à carga móvel no modelo,
foi necessário que se definissem uma faixa de tráfego, o veículo
e a classe do veículo. O cálculo dos esforços devido
à carga móvel foi obtido por envoltórias, cuja posição
do trem-tipo foi determinada de forma automática pelo programa SAP2000.
Tendo essa etapa concluída, foi possível verificar a capacidade
de carga da ponte e identificar as barras mais solicitadas da estrutura. Essa
identificação foi feita, selecionando-se as barras mais tracionadas,
mais comprimidas ou solicitadas com os maiores momentos fletores, e verificando-se,
através de dimensionamento, se todas atendiam aos critérios
especificados pela norma. O dimensionamento foi feito de acordo com a norma
atual, usando o Método dos Estados-Limites. Os esforços devidos
à flexão encontrados nas barras foram transformados em esforços
axiais correspondentes e, então, somados aos esforços axiais
já existentes. Para isso, calculou-se um coeficiente K, em cm, chamado
fator de flexão do perfil, pelo qual se dividiu o momento fletor M,
em kNm [Carnasciali, 1976], ou seja,
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onde K é o momento resistente W dividido pela área A da seção
transversal do perfil. Os perfis foram, então, dimensionados apenas
para tração ou compressão.
O método escolhido para a introdução de danos na estrutura
foi o de diminuição de 5% da seção transversal,
em alguns pontos de algumas barras, baseado na perda de material resultante
do processo corrosivo. A análise dos resultados foi feita, comparando-se
as solicitações encontradas, nessas barras e nos elementos mais
solicitados da estrutura, com as que haviam sido encontradas no modelo são.
3.4
Ensaios de laboratório: sistema de pintura
Para a avaliação das tintas [Nunes e Lobo, 1998] utilizaram-se
chapas de aço carbono. Optou-se por ensaiar dois sistemas epóxi
puro e um sistema silicato de zinco, com o uso de um acabamento de poliuretano.
Para que fosse possível observar melhor o comportamento de cada tinta,
os sistemas de pintura foram divididos em subsistemas, como pode ser visto
na Tabela 3.

Foram utilizados 8 CPs para o ensaio de aderência e 120 para o ensaio
de resistência à névoa salina. A limpeza dos CPs se deu
por meio de jateamento abrasivo nos padrões Sa2 ½ e Sa3, obedecendo
às recomendações do fabricante das tintas.
A pintura dos CPs foi feita com pistola convencional (a ar comprimido), de
acordo com as recomendações do fabricante, observando-se a proporção
de mistura, a forma de preparo da mistura, a diluição, a forma
de aplicação, o tempo de secagem e o tempo para repintura.
Para os ensaios de aderência, os CPs foram preparados, pintados e envelhecidos
(tempo necessário para a cura da tinta). Em seguida, foram feitos cortes
em grade na pintura e uma fita adesiva foi aplicada sobre a área cortada
e, após sua retirada, observou-se a aderência da tinta comparando-se
a área ensaiada à tabela de avaliação contida
na norma.
Para o ensaio de Resistência à Névoa Salina, foram feitos
cortes horizontais na parte inferior de uma das faces dos CPs e estes foram
distribuídos aleatoriamente em bandejas. As bandejas foram, então,
colocadas na câmara de névoa salina com inclinação
de 30º, temperatura de 35ºC (± 2ºC), e submetidas à
névoa de solução aquosa de cloreto de sódio (NaCl)
a 5% (em peso). Foram feitas retiradas de 1 a 5 semanas, sendo a bandeja 1
com 1 semana, a bandeja 2 com 2 semanas e, assim, sucessivamente. Após
cada retirada, os CPs foram, imediatamente, enxaguados sob água limpa
corrente e secos superficialmente com ar comprimido. Foram, então,
realizadas técnicas para determinação do grau de migração
subcutânea (MS), grau de empolamento (GEmp) e grau de enferrujamento
(GEnf).
4.
Resultados
Todos os esforços máximos obtidos através das modelagens
ocorreram para a combinação de carregamento COMB3 composta pelas
seguintes cargas: peso próprio (estrutura + trilhos e dormentes), sobrecarga
(passarelas), impacto lateral, vento na ponte carregada e carga móvel;
considerando os coeficientes de majoração das ações
dados pela norma. Como era de se esperar, a Ponte 2 apresentou o mesmo comportamento
da Ponte 1. Foi realizada, também, uma verificação da
capacidade de carga dos perfis, comparando-se a maior solicitação
(onde essa solicitação se refere àquela obtida entre
as três modelagens adotadas) atuante num perfil com o seu limite de
resistência, para cada peça estrutural. A título de ilustração,
é apresentada, na Figura 9, entre os vários gráficos
gerados, uma comparação entre esses valores. Os valores mostrados
em cinza se referem aos esforços máximos atuantes e em preto,
à capacidade máxima de resistência da peça.

Na Tabela 4, são apresentados os valores médios dos esforços
para a treliça principal (compressão e tração),
para cada sistema componente, de acordo com o tipo de modelo utilizado. Os
resultados do ensaio de aderência são apresentados na Tabela
5.


A Tabela 6 apresenta os resultados encontrados nos ensaios de resistência
à névoa salina. Os resultados desses ensaios são expressos
através de: migração subcutânea (MS), grau de empolamento
(Gemp) e grau de enferrujamento (Genf).

5. Discussão
Através da inspeção visual, foi possível observar
que, apesar de alguns elementos terem as seções transversais
com mesma geometria, suas dimensões são diferentes. Também
foi possível perceber que os pontos de corrosão parecem se repetir
nos vários vãos da PMH. Em sua parte aérea, a PMH apresenta
apenas uma corrosão superficial. Já nas regiões inferiores,
onde há acúmulo de eletrólitos, nota-se um grau de degradação
muito maior, podendo-se encontrar, inclusive, algumas peças secundárias
rompidas.
Observando-se a Tabela 4, podemos perceber que a distribuição
de esforços, nas treliças principais, quanto aos seus valores
máximos, para os três tipos de modelos usados, ocorre para os
mesmos elementos e apresenta a mesma grandeza, portanto o efeito da tridimensionalidade
parece não ser tão importante. Como era de se esperar, as treliças
principais se apresentam suportando os maiores esforços.
A Figura 9 mostra que há uma reserva de resistência considerável
nos perfis. Vale lembrar que a verificação foi feita considerando
somente os esforços axiais através do método dos estados-
limites, segundo à norma brasileira. Quando a peça era submetida
a momentos fletores, esses esforços eram transformados em esforços
axiais equivalentes. Quando verificadas automaticamente pelo programa SAP2000,
segundo a norma americana AISC-ASD89, percebe-se que a Ponte 2 (maior vão)
se apresenta com um maior número de barras que não atendem às
especificações. Nessa verificação, entretanto,
é levada em conta a flexão oblíqua composta.
Quanto ao dano inserido no modelo, utilizando-se a norma AISC-ASD89, ele teve
pouca influência na distribuição dos esforços pela
estrutura. O dano inserido não foi suficiente para que se possa tirar
qualquer conclusão, daí a necessidade de novas análises.
Em relação ao grau de aderência (Tabela 5), os três
sistemas (amostras C, E e H) apresentaram comportamento similar e, apesar
da aplicação do primer (amostra A) apresentar melhor desempenho,
é importante lembrar que existem outros fatores que determinam a qualidade
de um sistema de pintura.
Também é possível observar, nas Tabelas 5 e 6, que a
espessura da película de tinta seca ficou acima do que é recomendado
pelo fabricante, o que pode ter ocorrido devido à má aplicação
das tintas, seja por falta de uma mão-de-obra especializada ou pela
presença de algum defeito no equipamento utilizado. Isso parece não
afetar os resultados de ensaios feitos em laboratório, no entanto é
de grande importância que, na prática, essa espessura seja rigorosamente
exigida, para que não hajam gastos excessivos de tinta, onerando, assim,
a proteção da estrutura.
Na Tabela 6, estão apresentados apenas os piores e melhores resultados
obtidos nos ensaios de resistência à névoa salina. A partir
desses resultados, foi possível observar que todos os sistemas apresentaram
GEnf = F0, ou seja, não apresentaram pontos de corrosão sobre
a tinta. Apenas o sistema 3 (amostra H) apresentou GEmp = d0/t0, o que significa
que este não apresentou bolhas. Em relação à migração
subcutânea, o sistema 2 (amostra D) apresentou-se com pior desempenho.
Um aspecto muito importante no desempenho de tintas é o preparo adequado
de superfície. Além disso, deve-se observar o grau de umidade
relativa do ambiente e a variação na composição
das tintas em termos de porcentagens sólidos/volume, que, geralmente,
estão disponíveis em tintas comerciais.
6. Conclusões
Com base nos resultados apresentados e discutidos, pode-se enunciar as seguintes
conclusões:
• A distribuição de esforços nas treliças
principais e nos outros elementos, quanto aos seus valores máximos,
ocorre praticamente, para os mesmos elementos nos três modelos adotados
ou seja, o efeito da tridimensionalidade para a distribuição
de esforços não é importante.
• Os perfis apresentaram boa reserva de resistência, quando verificados
somente para esforços axiais, usando a norma brasileira. No entanto,
quando verificados através da utilização do programa
SAP2000, de acordo com a norma americana AISC-ASD89, o mesmo não ocorreu.
Nessa verificação, entretanto, é levada em conta a flexão
oblíqua composta.
• O dano introduzido no modelo, visando a avaliar a corrosão
(redução de 5% da seção transversal), teve pouca
influência na distribuição de esforços pela estrutura.
• Verificou-se que a Ponte Marechal Hermes encontra-se em elevado estado
de degradação por corrosão, principalmente, em regiões
onde ocorrem acúmulo de eletrólito.
• Os locais com presença de frestas têm desenvolvido intenso
ataque corrosivo. Nessas regiões, desenvolvem-se produtos de corrosão,
que atuam como concentradores de tensão, provocando deformação
e até ruptura de algumas peças que compõem os elementos
estruturais.
• É necessário um preparo de superfície adequado,
com especial atenção para as frestas e ligações
e, posteriormente, aplicar o revestimento através de pintura.
• A partir de ensaios de névoa salina, verificou-se que o sistema
de pintura de melhor desempenho foi com aplicação de etil silicato
de zinco com primer epóxi-amida rico em zinco e esmalte poliuretano
alifático.
• Diante dos dados obtidos e da espontaneidade do fenômeno de
corrosão, é necessário que se faça manutenção
periódica na Ponte Marechal Hermes.
7.
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metálica Marechal Hermes. Ouro Preto: Construções Metálicas,
DECIV/UFOP, 2004. 177p. (Dissertação de Mestrado).
CÂNDIDO, L. C. Patologia - Notas de aula do Departamento de Engenharia
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NEVES, F. A. Avaliação preliminar da ponte ferroviária
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PANNONI, F. D. Coletânea do uso do aço 2 - Princípios
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de corrosão e incêndio. 2. ed. Açominas, 2004. v. 2. p.
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WOODWARD, R. J. et alii. Final Report - Contract nº RO - 97 - SC.2220,
BRIME, 2001. p. 29-100.
Créditos:
Fabiana Malta BrinckI; Luiz Cláudio CândidoII; Francisco de Assis
das NevesIII
Eng. Civil, Mestranda, DECIV/UFOP. E-mail: fmbrinck@terra.com.br
Eng. Met.,D.Sc., Professor do DEMET-Escola de Minas/UFOP. E-mail: candido@em.ufop.br
D.Sc.,Professor do DECIV-Escola de Minas/UFOP. E-mail: fassis@em.ufop.br
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